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Safra cheia impacta preços e armazenagem em MT

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Safra cheia impacta preços e armazenagem em MT

Com o milho em fase de pendoamento, boa parte da produção está salva no campo. Preocupação agora é com a comercialização

Nesta segunda-feira, 24, foi dada a largada na 4ª edição do Circuito Tecnológico Etapa Milho, expedição realizada pela Aprosoja em parceria com a Embrapa e apoio do Imea. Já nos primeiros quilômetros rodados de Cuiabá a Campo Verde, MT, nos deparamos com lavouras vistosas – a maioria em fase de pendoamento. Para o produtor e agrônomo Benedito Nelson Fernandes Júnior, o viço das plantas é sinal de safra cheia, mas também de problemas com preço e armazenagem da produção.

Na fazenda da família, Fernandes Júnior e seu tio plantam juntos, sem a ajuda de nenhum funcionário, 450 hectares de soja e milho em sucessão, tendo alcançado na última safra uma média de produtividade de 88 sacas/ha de milho. Na safra 2016/2017, eles esperam colher 115 sacas/ha.

“A questão é que perdemos o timing e não fizemos contrato futuro para o milho, e agora o preço para entrega imediata está em R$ 17 na região. A venda lá na frente está ainda pior, o mercado futuro está em R$ 13”, diz Benedito. De olho no aumento de produção, o produtor diz que conseguirá pagar seus fornecedores, mas vê chegando por aí uma crise no armazenamento. “A gente que é pequeno ainda dá um jeito, consegue encaixar e entregar o produto na trading, mas, com esses preços, e com muito produtor ainda segurando a comercialização da soja, devemos ter milho a céu aberto em Mato Grosso nesta safra”, afirma.

De acordo com seu tio, Eliomar Fernandes, para eles, que plantam menos de 500 hectares, hoje não vale a pena investir em um armazém próprio, o que, no entanto, é coisa a se pensar em Mato Grosso, para não ficar refém dos preços ao final da colheita.

Ao todo, 10% da produção de soja da família, da safra 2016/2017, ainda não foi comercializada e está em armazéns de terceiros ao custo de R$ 1,60 a saca/mês, preço que Fernandes diz que tende a subir quinzenalmente a partir de maio. A produtividade média da soja na fazenda da família foi de 62 sacas/ha este ano, tendo sido uma parte da produção vendida a R$ 67 e outra a R$ 50.

Quanto à comercialização do milho, os Fernandes esperam que alternativas como o leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o Prêmio para o Escoamento do Produto (Pep) garantam pelo menos o preço mínimo estipulado no Estado, de R$ 16,50/saca.

O outro lado da moeda – Para Cristiano Botan, da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, a situação é um pouco mais confortável. Com um silo metálico com capacidade para armazenar 100 mil sacas, ele comercializou 60% da sua produção de soja e 100% da produção de milho. Na soja, conseguiu uma média de R$ 67,40/ saca e, no milho, de R$ 19. “Agora, acabou a pressa para colocar o restante no mercado. Conseguimos pagar as contas e vamos esperar para ver como fica o preço”, diz.

No entanto, com uma produtividade de 155 sacas/ha de milho, ele acredita que nessa safra, se não ocorrer uma frustração, a queda no preço do milho, com o aumento da oferta, só vai permitir empatar o custo com o retorno trazido pelo grão. Com o que Juliano Panice, da Agropecuária Limeira, concorda: “Com a safra cheia a gente pode ter um lucro pequeno com o milho ou ficar no zero a zero”, diz.

Na mesma região de Botan e Fernandes, a Agropecuária Limeira, da família Panice, produz soja e milho em 1.500 hectares e conta com um silo metálico, com capacidade para armazenar até 160 mil sacas de grãos. A estrutura também dá margem de manobra para o produtor, que comercializou 50% da sua produção de soja e 20% da sua produção de milho. “Eu me arrependo de não ter vendido mais antes, quando o preço da saca de soja bateu R$ 92, porque agora está na casa dos R$ 54”, afirma Panice.

Das 45 mil sacas de soja que ele já comercializou, 5% foram vendidas por R$ 80/saca, 15% por R$ 74 e 30% por R$ 55. O milho ficou na faixa de R$ 21. “A safra vai ser boa, mas com um custo de produção relativamente alto. Para mim, de 140 sacas/ ha para o milho e 43 sacas/ha a soja”. A produtividade da soja na Agropecuária Limeira foi de 78 sacas/ha na safra 2016/2017 e a expectativa é colher este ano, justamente, 140 sacas de milho/ ha.

Fonte: Portal DBO